Fechado o contrato para comercialização de um dos nossos projetos mais ambiciosos – o Cartão Halcon, o primeiro cartão de crédito do turismo português, excetuando o da TAP Air Portugal, a companhia aérea de bandeira, e sobre o qual dedicarei o devido espaço, cabia-me a complexa tarefa de o desenhar e “vender”. Desenhar, foi para mim relativamente fácil, pois sabia o que queria, agora ter argumentos de persuasão que cativassem clientes e parceiros ia ser um osso duro de roer.
Na minha mente fervilhavam ideias, fazendo uso do conceito de fidelização associado ao instrumento bancário per si – a utilização do cartão conferia a acumulação de pontos, mas apesar de termos uma identidade gráfica impactante, faltava-me um elemento-chave na estratégia de comunicação, uma figura, um embaixador do produto e, e por inerência, da empresa.
Tínhamos a nossa mascote, o Zé Halcon, personagem muito divertida mas demasiado infantil para colar a um cartão bancário.
No passado, tínhamos feito um acordo com o João Pinto, do Benfica, para uma permuta publicitária, tendo chegado a tirar-lhe fotografias no Estádio da Luz, mas entretanto ele mudou-se para o Sporting e acabamos por nunca usar nas nossas campanhas. Por outro lado, os clubismos não se coadunam com consensos e a nossa escolha carecia de unanimidade nacional. Alguém friendly.
Sabia que a nossa loja de Coimbra tinha um cliente que reunia todos os requisitos e mais algum para ser a cara do projeto. Mediático, prestigiado, consensual em todos os estratos sociais e etários, com uma imagem pessoal irrepreensível, tinha uma característica, um dom profissional que daria magia, uma dimensão superlativa, às campanhas promocionais do projeto – sim era um Mágico! As suas façanhas artísticas, granjearam reconhecimento e prestígio internacional. O nosso alvo número um chamava-se Luís de Matos.
Extremamente acessível, Luís de Matos acolheu a ideia com enorme entusiasmo e logo na primeira conversa acedeu a participar no roadshow nacional – eventos de apresentação em cinco cidades, onde se prestou a elaborar um truque exclusivo para nós. Foi muito mais fácil do que esperava, mas só quem não o conhece pode esperar infundadas dificuldades.
Tive a honra de privar fugazmente com Luís de Matos nessa mini-tournée, que apesar de demonstrarmos um amadorismo organizativo, muito aquém dos seus standards mínimos, manteve sempre o seu elevado profissionalismo e compreensão, deslocando-se propositadamente a cada local com toda a sua equipa e equipamento técnico, nada falhando na sua atuação. Chapeau!
Uns anos mais tarde, encetamos nova parceria, com o apoio ao seu Show no Casino Estoril. Foi sem dúvida uma associação de valor acrescentado, muito superior ao que possamos ter investido.
Graças ao Luís de Matos a atenção dada ao Cartão Halcon foi de âmbito verdadeiramente nacional, com a devida repercussão no retorno em brand awareness conferido à Halcon Viagens. Contribuiu certamente para que, no ano seguinte, surgíssemos já como segunda Marca de Confiança, das Seleções do Reader’s Digest.
Obrigadão, Luís!